
Tom Zé – Se o Caso é Chorar (1972)
Download!!!
Logo Abaixo Tom Zé explica como compôs a canção Se o Caso é Chorar…
01. Happy End
02. Frevo
03. A Babá
04. Menina Amanhã de Manhã
05. Dor e Dor
06. Senhor Cidadão
07. A Briga do Edifício Itália com o Hilton Hotel
08. O Anfitrião
09. O Abacaxi de Irará
10. O Sândalo
11. Se o Caso é Chorar
12. Sonho Colorido de um Pintor
Show do Tom Zé e Gereba, gravado em fita cassete, em São Paulo, no Teatro
Caetano de Campos, para o projeto Adoniran Barbosa, em junho de 1990. À
época, foi lançado em LP. Em algumas galerias do centro de Sampa é possível
encontrar o genérico, já em CD.
Abaixo, a faixa onde o Tom Zé explica como nasceu “Se o Caso É Chorar”.
Hilário, educativo e esclarecedor (as partes entre colchetes são minhas).
– Aliás, essa música é toda plágio. É até bom aproveitar a oportunidade
para contar pra vocês o lado avesso da história. Essa música fez sucesso,
foi primeiro lugar na parada de sucesso no Brasil durante meia dúzia de
semanas, durante um ano quase inteiro, em 1973, e essa música é toda plágio.
A idéia de fazer uma canção toda plágio nasceu por causa de uma canção
anterior, de que as pessoas de minha idade também se lembram, que é aquela
valsinha que dizia assim:
(cantando)
Passo a passo, braço a braço
Um sorriso, um silêncio
Sete horas, oito dias
Dezenove, vim te ver
– Essa música ganhou num festival da Hebe Camargo [?] o primeiro lugar. E
aí saiu no Estadinho [Jornal da Tarde, irmão mais novo do Estadão] na seção
“O Leitor Escreve”, tava escrito lá: “A música de Tom Zé ´Silêncio de Nós
Dois´ é plágio do Garcia Lorca na página tal qual…”. Eu disse, vala-me
Nossa Sinhora, corremo lá pra casa, pegamo o Garcia Lorca, fomos lá na
página e hum… tinha lá também a palavra moita. Então tudo bem. Mas eu
falei assim, puxa!, é uma ótima idéia fazer uma canção que seja toda plágio.
Comecei a pensar no assunto e me lembrei dessa harmonia [toca uma seqüência
harmônica ao violão], que é do Estudo número 2, do Chopin. Vocês já conhecem
ela em outra música brasileira, a mesma coisa também, só a batida é
diferente [toca a mesma seqüência, só que com uma levada de bossa nova, e
começa a cantar ´Insensatez´, do Tom Jobim. Gargalhadas no auditório ao
notar as semelhanças, até então despercebidas]. A harmonia é a mesma. Então,
peguei essa harmonia e botei… A forma, eu me lembrei que Antonio Carlos e
Jocafi, naquele tempo davam as regras do mercado nacional com aquele tipo de
coisa: a primeira parte menor [harmonicamente falando], com a sintaxe da
língua portuguesa mais ou menos estranha, prá ficar parecendo uma coisa tipo
luz de boate, assim simbolicamente, metaforicamente, num precisava dizer
nada, bastava ter uma dorzinha e tal, e amor por aqui, amor por acolá, então
eu comecei a construir essa estrutura, que não quer dizer absolutamente
nada, prestem atenção:
(cantando)
Se o caso é chorar, te faço chorar
Se o caso é sofrer, eu posso morrer de amor
Vestir toda minha dor, no seu traje mais azul
Restando aos meus olhos o dilema de rir ou chorar
– No fim, eu tinha chegado a botar assim: “…Deixando meus olhos vazados
de tanto chorar”. A minha mulher disse: “Assim, também não, assim é
esculhambação, ninguém vai te levar a sério. Olhos vazados de tanto chorar?
Que diabo, você é louco? Tenha paciência…”[gargalhadas]. Aí mudei a letra
e Perna, meu parceiro [Antonio Perna Fróes, pianista baiano que chegou a
acompanhar a constelação baiana inteira na época], tava aqui em São Paulo e
me deu a idéia da segunda parte; Ele disse: “Tem uma música dos Beatles –
dos Beatles, não, dos Rolling Stones, uma imitação dos Beatles daquele
tempo – que fala um negócio mais ou menos assim, deixa sangrar meu peito, um
negócio assim, aí ele deu a idéia:
(cantando)
Amor, deixei sangrar meu peito
Prá tanta dor, ninguém dá jeito
Amor, deixei sangrar meu jeito
Prá tanta dor, ninguém tem peito
Se o caso é chorar…
– Agora, a segunda parte é uma colagem, não tem nenhuma palavra minha. Tudo
música dos outros, vejam se vocês descobrem, eu juntei músicas de sucessos
dos outros [gargalhadas]:
(cantando)
Hoje quem paga sou eu, o remorso talvez
As estrelas do céu também refletem na cama
De noite na lama, no fundo do copo
Rever os amigos, me acompanha o meu violão
Amor deixei (vamos lá, agora?) sangrar meu peito…
Fonte:http://www.samba-choro.com.br/s-c/tribuna/samba-choro.0111/0372.html